5.10.09

Gostava de ter escrito isto!

UM MANIFESTO EM SETE PONTOS

1) O AMOR

O amor há muito que foi morto pela racionalidade. Quando falo de amor não falo de paixão, porque essa até mantém alguma da sua irracionalidade – o seu principal elemento diferenciador em relação ao amor. Falo antes do amor verdadeiro, aquele que se sente como que de um soco no estômago se tratasse, aquele nos faz olhar para um sorriso e pronto. Começamos a amar e amamos até ao fim dos nossos dias.


Que acabem os paninhos quentes no amor, que acabem os meios-termos, que acabem as hesitações em dar o primeiro beijo, que acabem os cafezinhos, que acabem os ciúmes, que acabem as discussões, que acabem as futilidades, que acabem os complexos, que acabem os elementos externos, que acabem as confusões – o amor é o tudo ou nada. No amor não há espaço para a racionalidade, os sentimentos são para serem impulsivos, irracionais, instantâneos – o amor não é uma conveniência, não é um estado de alma, não é um achar que. O amor é um tem que ser já. Então que se bana já a racionalidade do amor.


2) A AMIZADE


A amizade é a água tónica a fervilhar num copo com gelo cheio de gin. O gelo por si apenas sara as feridas, o gin é áspero de mais para ser bebido sozinho e a água tónica por si só é apenas aparência, trata-se da bebida dos ex-alcoólicos que queriam era estar a beber gin tónico. Da conjugação das feridas que é preciso sarar, com os conselhos amargos que é preciso receber e com a agradável companhia que é a tónica, nasce a amizade. Uma coisa é um conhecido, a outra é um amigo – o conhecido é racional, a amizade é irracional.

Abandonemos os amigos do racional na primeira esquina. Vamos pegar nos telefones e ligar, ligar aquele amigo que não vemos há uma eternidade, praticamente há dois dias, e dizer o quanto gostamos do ter como amigo. Vamos desatar a chorar em cada ombro, vamos a correr marcar um copo com cada um dos amigos e tirar fotografias. Vamos decorar as lareiras do país com fotos de amizades roubadas à piroseira – mas fotos de amizades sinceras. Que nunca ninguém mais fale da amizade sem a sentir.

3) A FAMÍLIA

A família não se escolhe, o amor e as amizades também não. Dizemos que é um frete estar com a família, por vezes até o sentimos, mas porquê? Por sermos racionais. É preciso amar a família não nas suas virtudes, porque isso é fácil, é racional. Temos que amar a família principalmente nos defeitos e dar conselhos, mesmo que sejam rejeitados e insistir, e transformar, moldar a família com base no respeito, na adoração.

Respeitar um familiar é sermos irracionais, é pegarmos no nosso pai que é do Benfica, sendo nós do Sporting, e levá-lo à Luz a ver um jogo e a comer uma fartura nas roulottes junto ao parque de estacionamento. Temos que reinventar a família, temos que ser reactivos ao ponto de não a deixarmos morrer, como instituto, como algo nosso, como sentimento de continuação e como tudo o resto, todo o rol de sentimos que nos faz rolar uma lágrima pela face quando sentimos saudades de um familiar.

4) AS CRIANÇAS

As crianças são o futuro, o amanhã. Tretas. As crianças são o hoje, são o presente, são o agora e são o agora na sua plenitude, são principalmente o que de mais puro e genuíno existe no mundo. Uma criança é para ser abraçada a cada momento, é para ser beijada, é para ser adorada a cada instante – ninguém tem mais para nos ensinar no mundo do que uma criança. Dizemos que as temos de educar, para quê? Para se tornarem iguais a nós? Sim, é para isso que as gostamos de educar, por e simplesmente para as tornarmos racionais.

Aceitemos e promovamos a irracionalidade das crianças. A sensatez com que repetem os gestos na televisão, a facilidade com que ignoram os estímulos que não sejam sensitivos, a genuidade que com que simpatizam com uma pessoa, independentemente da classe social, da crença, da cor, do feitio, do bigode, da roupa e mesmo do coração. Se aprendêssemos com as crianças não seriamos os brutamontes sentimentais que somos hoje em dia. Ensinemos as crianças a continuarem irracionais. Aprendamos com elas.


5) O TRABALHO

Para uns santifica, para os outros dignifica e para os verdadeiros irracionais atrapalha. O trabalho serve para pagar as contas, e porque assim tem que ser. Se não houvesse trabalho, o que é impossível, tanto melhor. Mas como é necessário então tudo bem, façamos um esforço. Mas nunca nos deixemos absorver pelo trabalho, a capacidade de absorção é uma coisa que está reservada às esponjas e aos sentimentos. Esses sim são necessários absorver e se os absorvermos vamos ser felizes, mesmo a trabalhar. Decreta-se pois que nunca ninguém promova o trabalho em vez da felicidade, do amor, das crianças, da família e do resto. Dos milhares de coisas que são muito mais importantes do que o trabalho.

6) O SEXO

Ai que horror que os irracionais só querem e só pensam no sexo. Vamos lá todos promover o sexo desmedido, com ou sem preservativo, nos bares, nas cabines telefónicas, nas sacristias, nas camas, nos bordeis e nos lençóis do vizinho. Nada disso, isso é estupidez, não é irracionalidade.
O irracional respeita o sexo, de quem o pratica e de quem não o pratica, porque não pode ou porque não quer, ou porque tem mais que fazer, ou até porque está bêbado de mais e não o consegue. O sexo é irracional porque é pessoal. Tendo estas duas características só é condenável quando ser torna racional, quando o fazemos porque tem que ser. Devolvamos também a irracionalidade genuína ao sexo. Façamos apenas porque queremos e com queremos.

7) A POESIA

Somos um país de poetas, de poetas com medo – por causa da racionalidade. Escrevemos os nossos poemas à noite em casa, nunca durante o dia numa esplanada. Escrevemos os nossos poemas e guardamos no fundo da última gaveta da mesinha de cabeceira, não corremos para os nossos amigos a perguntar se gostaram. E se alguém os encontra? Primeiro ficamos brancos, depois azuis e quase desmaiamos. Para compensar ainda damos uma desculpa: “isso não são bem poemas, são uns versos” ou então “são uma coisa minha”. Temos medo de utilizar a poesia para mostrar aos outros o que sentimos. Achamos que são uma coisa para nós, para passar o tempo. Mas não – a poesia é uma coisa para mostrar ao mundo.

Nem que sejam uma porcaria, literariamente falando, são os nossos poemas e quando os escrevemos depositamos lá algo de nós. Trata-se de um bocadinho dos nossos sentimentos que oferecemos a uma folha de papel – se os oferecemos é porque os devemos partilhar. Acham irracional? Ainda bem, é esse o objectivo. E eu confesso, não que eu seja um modelo para alguma coisa, mas nunca escondi um poema. E resultou? Não sei. Mas espero um dia encontrar uma mulher que verdadeiramente os perceba, os admire e me escreva um poema. Aí darei por encontrado o Amor e serei o mais irracional possível.

CONCLUSÃO



Este manifesto não tem um propósito, um único propósito racional. Os únicos propósitos que tem são irracionais, e tem vários, uns mais implícitos e outros mais explícitos. Mas como alguém me disse um dia, “se queres mostrar algo a alguém escreve, estás sempre a ser seguido”. Eu acreditei e por isso escrevo, escrevo para que sejamos cada vez mais irracionais.
Espero que a mensagem passe, espero que efectivamente alguma coisa mude e se mais não for a nossa vida.
Acabemos com a racionalidade!


João Gomes de Almeida

28.7.09

27.7.09

I Douro You!

Só um cheirinho:








22.7.09

Aposto que tiveste uma nota de merda!

Após uma longa e esperada ausência, decido reabrir a época da escrita novamente.

É certo que, como consequência da minha licença sabática em prol de mim próprio tenho muitas novidades, porém pesa-me a consciência se não regressar com uma notícia madura e explosiva.(Madura porque já se passou há um mesito, salvo erro.)
Não é que há mais um episódio lamentável em que temos como protagonista principal os proletários contemporâneos, ou seja, os docentes?Este é uma espécie de parte dois da história enriquecedora da professora de Espinho.A única diferença é que ao invés de brincar com o futuro sexual dos meninos, brincava com o seu futuro.Senão vejamos:
Não faço a mínima ideia qual é a faixa etária média fiel seguidora deste blogue, mas se houver alguém que o lê, suponho que se apresente na ordem dos dezoito anos de idade e por conseguinte a minha intervenção torna-se mais pertinente ainda.
Estava eu, numa bela tarde de Final de Primavera na minha monótona labuta diária, num café, quando alço a cabeça e ergo os olhos perante tamanha atrocidade cometida por três ogres.Não é que estavam três professoras, responsáveis pela corre(c)ção de exames nacionais, a passear os mesmos num café.E mais.Para além de estarem a passear os exames num café estavam a passear os olhos pelos exames àquilo que chamam correcção e, estavam ainda a corrigir os exames com uma caneta parker na respectiva mão direita adjacente, enquanto que seguravam com a mão esquerda os seus panachets e batiam um papo estup(ido)endo.(Admiro a capacidade das mulheres em fazerem diversas coisas ao mesmo tempo e abomino a sua falta de consciencialização de que, ao fazerem muitas coisas ao mesmo tempo, nada fica bem feito, mas apartes à parte!)
Ou seja, no canto esquerdo apresentavam-se três professoras com uma idade compreendida entre os 40 e 50 e um peso conjunto de 300 quilos.No canto direito estavam apenas as gramas respectivas ao peso de uma par de folhas e o intangível futuro dos jovens a quem os exames pertenciam.
Era notório o lado para o qual a vitória ia pender, uma vez que não podemos confrontar um peso-pluma com um peso-pesado.
Sugiro que promulgam uma lei, que diga explicitamente, uma vez que não queremos que os nossos queridos e competentes professores puxem demasiado pela cabeça, que consista na elaboração de cromos semelhantes aos que dizem "Proibida a entrada de cães", mas que, ao invés digam "Proibida a entrada de professores responsáveis pela corre(c)ção de exames nacionais" e os coloquem nos espaços públicos, já que não têm consciência de o ir fazer para um local mais discreto, onde possam estar minimamente concentrados. Uma vez promulgada, sugiro que para atenuar as consequências, essa lei só seja válida nas alturas de corre(c)ção de exames nacionais, ou teremos atitudes descabidas por parte da classe operária do séc. XXI, e não queremos nada disso...
O quê?!
Os professores já têm atitudes descabidas não próprias de indivíduos formados na vida?!!!
Esqueçam o que eu disse então...

21.5.09

Momento de inspiração!

O mundo assiste impávido e sereno a uma guerra completamente desproporcionada, em claro desrespeito pelo Direito Internacional, mas que, ainda assim, é assistida pela comunidade internacional de uma forma extremamente, mas, não surpreendentemente benevolente. Existem razões económicas e políticas que forçam a comunidade internacional a não intrometer-se de uma forma mais imperativa num conflito que moldou e continua a moldar um processo de formação de dois Estados-nação diametralmente opostos, mas incontornavelmente com alguns pontos coincidentes, porém existem razões morais que deveriam prevalecer sobre quaisquer outras razões existentes e para isso exige-se uma reacção mais concisa e concertada dos países constituintes da União Europeia. Estamos perante um conflito que tem como principais oponentes um David e um Golias. Um Golias que se faz valer do seu poderio bélico e do apoio das superpotências ocidentais para proferir alegações de legítima defesa como desculpa para violações claras dos Direitos Humanos, contra um humilde, resistente e ardiloso David que apenas tem o apoio da comunidade muçulmana circunvizinha que anseia incessantemente mostrar ao Ocidente o seu poderio nuclear. E aqui reside a principal ameaça ao futuro da humanidade, portanto, mostra-se importante, desde já, resolver as questões relacionadas com os países apoiantes da causa palestiniana de forma a evitar “guerras sem vencedores”. Paira, no entanto, um problema que parece não ter solução à vista. Quer os judeus, quer os árabes palestinianos alegam que a terra em disputa lhes pertence há séculos. Os palestinianos reiteram que aquando a Declaração de Balfour (parecer favorável, 90% das pessoas que viviam na região da Palestina eram árabes e a Inglaterra não tinha que fazer qualquer promessa aos judeus à custa dos árabes. Já os judeus, por seu lado, datam a pretensão àquela terra desde os tempos bíblicos. Ou seja, da mesma forma que as pretensões de ambos relativamente ao território se perde no tempo, o mesmo acontece com o conflito, com a ressalva de que este parece não ter fim à vista.Mas mais do que uma análise histórico-sociológica, os modernos avanços no conflito, nomeadamente o surgimento de organizações não -estatais a concorrerem com os seus próprios projectos, tudo veio contribuir para um exacerbar das tensões existentes, assim como catalisar os efeitos subsequentes. Desde a crescente militarização das tropas Israelitas até ao seu programa nuclear clandestino, passando pelo financiamento soviético aos movimentos subversivos palestinianos, e mais recentemente do Irão, tudo aponta para a continuação desta lógica conflitual para o próximo quarto de século.Por isso e por todas as atrocidades que têm vindo a ser cometidas, decidi elaborar uma dissertação relacionada com o conflito para me sentir na obrigação de saber mais sobre um dos problemas mais pertinentes e urgentes do meu tempo. Também na qualidade de cidadão europeu e estudante do curso de Estudos Europeus, não seria curial da minha parte não direccionar todas as minhas capacidades para entender a posição da União Europeia relativamente a este assunto e saber até que ponto é que a mesma, tem desempenhado a missão decorrente das obrigações que lhe competem na gestão da ordem internacional vigente. Para isso, não seria coerente, não referir as metamorfoses que a Política Externa de Segurança Comum tem sido sujeita até então, de maneira a que esteja dotada de capacidades para poder resolver os problemas de hoje, antecipando os de amanhã.

19.5.09

senhores doutores professores


Ora bem, esta semana, uma escola de Espinho protagonizou mais um brilhante episódio da novela "professores vs alunos". Parto do principio que já todos sabem do que estou a falar, por isso, não vou voltar atrás e contar-vos.
Os alunos deram a volta por cima depois dos episódios de violência, má educação e tal, e agora quem está por baixo são os professores. Professores, pessoas tão nobres, tão educadas, tão instruídas e etc, não mereciam tremenda reviravolta, logo ago ra que, tinham quase convencido o país inteiro que eles eram os bons da fita.
Não quero ser mal interpretado, atenção que eu não estou de maneira nenhuma a defender os alunos! Longe de mim! Mas também não nutro grande afeição por professores... Ainda para mais aqueles que se recusam pura e simplesmente a fazer aquilo para que são pagos, trabalhar!
Manifestações e mais manifestações, livrem-se algum dia de se virarem para um professor e lhe dizer para ir trabalhar, são capazes de ter o sindicato à porta durante uns dias. E eles não vão embora fácil, nem que lhes dêm o que querem, dá-se a mão, eles querem o braço!
Pergunto-me, qual será o problema de estarem na escola durante as horas em que são pagos?! Esta é só uma das questões, ou era, depois de perceber que isto não ia dar em nada deixei de acompanhar os acontecimentos.
A sra ministra, boa ou má pessoa, competente ou não, deve estar um pouco farta de dialogar e negociar com pessoas que, simplesmente, não querem dialogar nem negociar.

Por alguma razão temos tantos professores formados no desemprego, é possível que não seja um trabalho assim tão mau... Ei, desculpem, emprego, "emprego assim tão mau"! Assim é que deve ser.